quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O espelho

Obstinadamente procurei "o brilho". Mil clarões fulvos e alvos lampejaram em vão. Só para me mostrar que, afinal, baças e inertes, opacizavam o entardecer as tuas pupilas espelhadas.

Anónimo

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Desideratum

"Sê paciente, espera que a palavra amadureça e se desprenda como um fruto ao passar o vento que o mereça"

(Eugénio de Andrade)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009


Olha lá


Sob a densa e escura névoa de prata
Anseiam os teus olhos pela luz dourada?

As horas voam lestas
E de tristeza sensata,
Na sua pressa alada
Salpicam a áurea esperança

E ainda que tudo arda
Excepto a dúvida que me mata,
A essa tua presença fechada
Pergunto sem sequer ousar:

Sob a densa e escura névoa de prata
Anseiam os teus olhos pela luz dourada?




Anónimo

Sobre a avenida

É como se as árvores e as folhas devessem sussurrar em silêncio.
E é como se toda a legitimidade de existir dependesse da clausura de cada coisa em si própria.
“É-se menos na directa proporção daquilo que se dá”.
Por um lado, a necessidade de manter a negentropia que nos diferencia do meio envolvente, por outro a evidente contradição com tudo aquilo em que acredito…seriam as árvores árvores se não ouvíssemos os seus ramos cantantes?

Não creio.

E por isso me obstino na dádiva a quem não quer receber.
Pode não querer ouvir o murmúrio da folhagem, mas, eventualmente, há de reparar quando por fim, exausto, se calar.

Anónimo